A colher não existe: o que Matrix nos ensinou sobre o futuro

A colher não existe: o que Matrix nos ensinou sobre o futuro

Matrix é uma série de filmes, lançados entre 1999 e 2003, que relata um futuro tão distópico que nos força a questionar nossa própria realidade.

Atenção, contém spoilers: Se não assistiu, recomendo muito que assista o primeiro filme, dê uns 2 dias para filosofar, e depois volte a ler esse artigo 😀

Para quem já viu mas não lembra bem, Neo é um hacker que começa a achar que algo muito errado está acontecendo quando começa a receber mensagens estranhas da Trinity.

Até que ela, Morpheus e outros ‘rebeldes’ ajudam Neo a descobrir que toda a humanidade foi feita de prisioneira das máquinas, e tudo aquilo que ele chama de “mundo” é na verdade uma simulação.

A partir daí o filme conta a jornada do Neo, vivendo situações que pareceriam completamente absurdas para qualquer pessoa normal.

Quando terminou o filme você também ficou super pensativo, tentando digerir tudo aquilo e suas implicações? Eu sim, e com o tempo fui realizando que há vários detalhes interessantes que inicialmente podem passar despercebidos.

Vou agora elencar abaixo alguns pensamentos inspirados no Matrix que podem mudar a sua percepção de mundo.

Ensinamentos sobre o futuro inspirados no Matrix

1. Use Seus Pensamentos Ao Seu Favor

Libere a sua mente: o ser humano é especialista em auto-sabotagem.

No filme Neo recebe um treinamento fora do comum. Ele precisou desaprender tudo o que sabia até então, para usar a simulação a seu favor: dando pulos enormes, golpes incríveis, entre outros.

Quem não gosta de uma boa história de apocalipse

Em outro momento do filme aparece um garotinho entortando uma colher com o pensamento. Então ele atribui sua habilidade em saber que, na verdade, a colher não existe.

Quando pensamos que não se consegue fazer algo, acabamos botando a nós mesmo uma barreira intransponível. Uma frase que gosto muito: “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”.

2. Mudança Requer Coragem

Morpheus apresenta uma opção a Neo: voltar ao conto de fadas (pílula azul – tranquilidade, segurança) ou entender de verdade o que está acontecendo (pílula vermelha – emoção, perigo).

Na verdade essa escolha é uma decisão entre ficar na zona de conforto (o que já é conhecido e estamos acostumados) e mudar completamente de vida (o desconhecido, inseguro, sem nenhuma garantia do que vai acontecer).

Nesse momento Neo precisa ter muita coragem para decidir pelo desconhecido, ao invés de continuar onde estava. Sem dúvida, escolher mudança é sempre uma decisão corajosa.

Por isso, se você não está satisfeito onde está, vai precisar de coragem para escolher a mudança.

78% humano

3. A Tecnologia Pode Ser Nossa Ruína

A tecnologia pode nos escravizar: precisamos frequentemente refletir sobre a atuação e o controle da tecnologia sobre nossas vidas.

Ter tecnologia é ter ferramentas, é facilitar nossas ações. Mas quando a tecnologia começa a ser usada para tomar as decisões por nós, estamos desistindo de nossa liberdade, um pouquinho de cada vez.

Decidiremos, conscientemente, deixar a tecnologia definir o que fazemos e quem somos?

Olá, quer que eu tome as decisões da sua vida por você? 🙂

4. Nem Todo Mundo Concorda Com Sua Visão

Sempre terão pessoas que têm visões e anseios diferentes. Como o personagem Cypher, que prefere ser recolocado na Matrix porque prefere se manter escravo de uma confortável e agradável ilusão ao invés da liberdade difícil de viver.

Assim como o próprio Agente Smith, que é uma espécie de segurança da Matrix, que atua para manter o status quo, mantendo a humanidade prisioneira na ilusão perfeita.

5. A Realidade É Uma Ilusão

Afinal, o que é realidade de fato? Se nossa percepção do mundo é a nossa realidade, então a Matrix poderia ser considerada um tipo de realidade controlada.

Escravidão versus Utilidade

Essa discussão já faz sentido no momento atual, já que muitos jogos são imersivos o suficiente para serem considerados uma realidade alternativa. Além disso, a tendência é avançar ainda mais.

Com equipamentos de realidade virtual é possível viver experiências que seriam impossíveis sem a tecnologia. Como crianças de um vilarejo pobre no interior da África, que podem participar (usando a realidade virtual) de aulas de Inglês junto com crianças que moram em países ricos, tendo a mesma qualidade de ensino.

Matrix e Software

Aqui na Loeffa gostamos muito da ideia de que o Software, assim como a Matrix, é uma ilusão, intangível. Mas ainda assim é uma espécie de realidade, muito importante e que trás um resultado concreto e tangível.

A realidade simulada de Matrix, assim como qualquer Software, tem aplicações boas e ruins. Precisamos estar atentos para não usarmos de maneira ruim, ou então que percamos o controle.

O Software precisa nos servir da melhor maneira possível, mantendo a nossa liberdade a todo custo.

Além disso, quanto menos ações repetitivas as pessoas tiverem que fazer, mais recursos humanos teremos para focar no que realmente importa: relações interpessoais, melhores cuidados com outras pessoas, descobrimentos científicos, e quem sabe até a exploração de outros planetas.

A tecnologia tem o poder de nos libertar, se assim quisermos.

Liberdade: você é o único interessado em manter a sua

A criação da Loeffa tem muito a ver com o Matrix e com o garotinho entortando a colher. Em breve contarei essa história 🙂

O que achou da reflexão? Devemos de fato aceitar todas as mudanças, ou precisamos estar atentos aos limites e objetivos de cada mudança tecnológica? Fique a vontade para compartilhar suas ideias nos comentários abaixo!

Diretor de Tecnologia | CTO @

Desde sempre o menino 'do computador', descobriu na Computação um mundo incrível a desbravar. Após anos como desenvolvedor mobile, encontrou no empreendedorismo um mundo ainda maior e mais desafiador. Aficcionado por carros antigos, tem seu Maverick desde os 17 anos de idade. Investe as horas livres trabalhando nele e lendo livros.

9 thoughts on “A colher não existe: o que Matrix nos ensinou sobre o futuro

  1. Uma das passagens que mais gostos é quando o Morpheu leva o Neo para conhecer o Oráculo. Eles sobem no prédio e chegam em um corredor cheio de portas. Apenas uma daquelas portas leva até o Oráculo e o Morpheu mostra qual porta seria a correta. Mas ele ressalta: “Eu posso te indicar a porta correta ou simplificado te mostrar o caminho a seguir. Mas seguir o caminho ou abrir a porta é uma decisão que você deve tomar estando preparado para arcar com as possíveis consequências.” Quantas vezes ao longo de nossas vidas ouvimos conselhos, lemos livros, assistimos filmes e palestras motivacionais sem nunca efetivamente abrir a porta? Talvez a maior parte das pessoas não perceba essa realidade e aquelas que percebem não abrem a porta para um novo mundo, uma nova carreira ou um novo projeto simplesmente por medo das consequências ou possíveis consequências. Pensem nisso queridos sucesso…

    1. Oi Marcos!

      Como conversamos pelo Facebook, seu comentário é muito bom, pois retrata bastante a nossa realidade: a informação está por tudo, nosso papel é agir diante tantas possibilidades. Esse momento de ação depende única e exclusivamente de nós mesmos.

      Muito obrigado pelo comentário, sucesso!

  2. Realmente importante mudar! Eu hoje sou desenvolvedor e ainda vou mudar, atuando como Scrum Master… Matrix é muito bom, sempre atual…

    1. Oi Eduardo! Sem dúvida, nossa vida é feita de mudanças, temos que escolher quais delas vão nos deixar mais próximos dos nossos objetivos.
      Obrigado pelo comentário!

  3. Ricardo. Só acho que a tecnologia poderá nos libertar dependendo de quem a possui. No quadro atual de retrocessos políticos e sociais, cada mais me convenço que a tecnologia servirá cada vez mais a exploração do homem pelo homem.

    1. Olá Gilberto.

      Esse é um risco bem real, inclusive abordado de maneira filosófica pelo próprio Matrix. Por isso a Loeffa acredita que, além de trabalharmos com tecnologia, uma de nossas missões é disseminar informação e conhecimento. Quando muitas pessoas possuem conhecimento, fica mais difícil do mesmo ser utilizado como ferramenta de exploração dos que não tem acesso a esse conhecimento.

      Obrigado pelo seu comentário!

  4. Um questionamento inquietante me persegue a alguns dias, e foi reaceso após a leitura desse artigo: Qual será o papel do indivíduo humano nessa transformação? Na Matriz, um pouco tarde eu presumo, as pessoas perceberam que acima da Big Data e dos algoritimos, existe uma essência de vida, algo difícil de explicar ou mensurar. Isso individualiza o humano, e o faz ser único, mesmo com limitações, afinal, apesar de todo avanço cognitivo do nosso cérebro, não temos a mesma capacidade de armazenamento de informações que a máquina possui. Como será essa relação e a convivência ética no futuro? Toda essa evolução vai melhorar a vida das pessoas ou seremos dominados pela angústia e a depressão?

    Obrigado pelo artigo. Foi provocativo.

    1. Obrigado Fabio, pelo ótimo comentário.

      Me parece que, no futuro, qualquer tipo de trabalho que seja mecânico e repetitivo vai ser 100% feito por máquinas e computadores.

      Aos humanos, creio que precisaremos focar cada vez mais nos tipos de trabalhos que somos excepcionalmente bons: interações sociais, relacionamento, emocional, criação de experiências únicas e com propósito que importem para outros seres humanos. Esse tipo de trabalho é o mais difícil para os computadores, por necessitar um entendimento e empatia muito grande com o próximo.

      Hoje em dia habilidades desse tipo estão começando a ser chamadas de soft skills, e que devem aumentar sua importância no mercado de trabalho ao longo dos próximos anos.

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